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A manogamia existe?

Cresci em um lar cristão e tem coisas que são difíceis de tirar do coração, sabe? Mas desde mais novo eu sempre me perguntei: como é possível um casal durar tantos anos sem desejar outra pessoa? Ou será que, quando acontece uma traição, é só um casamento por conveniência, ou por acreditar nos valores da fé? Eu não tive tantas experiências em relacionamentos, e faz um tempo que venho estudando bastante sobre isso. Com o que li e refleti, percebi que a resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela existe, sim, mas não é algo concreto, universal ou que todo mundo nunca sinta. Se relacionar é uma forma de viver uma vida leve e, para muitos, super gratificante. Mas também não é a única via possível para o amor, o desejo ou um sentimento verdadeiro. Quero falar sobre isso com total respeito, sem julgar quem escolhe viver monogâmico, poliamoroso, aberto ou qualquer outro tipo de compromisso consensual. O que importa é o que funciona para cada um, desde que haja honestidade, comunicação e cons...

A gente nunca se perde quando se tem a si mesmo

 

Leia ouvindo: Heartbeats - José Gonzáles 💭

Na vida, a gente acaba se apegando a tantas coisas e pessoas. Coloca a esperança em promessas, se apoia em relações, cria expectativas em caminhos que parecem seguros. Mas chega uma hora em que tudo isso pode desmoronar. Quem prometeu ficar, vai embora. O trabalho que parecia certo, muda. O amor que parecia eterno, acaba. E aí a gente se vê diante de uma pergunta difícil: o que sobra quando tudo se vai?

O tempo me mostrou que sobra a gente. Sempre. Pode doer, pode ser confuso, pode parecer que não tem saída, mas a verdade é que, quando a gente tem a si mesmo, nunca está perdido. Porque é dentro da gente que mora a força para recomeçar.

Eu já vivi dias em que me senti sem chão, carregando mais peso do que achava possível. Dias em que a insegurança falava mais alto do que qualquer certeza. E nesses momentos, eu percebi que não adianta esperar que os outros me salvem. Quem precisava me segurar era eu. Quem precisava acreditar era eu.

É claro que ter pessoas ao lado é lindo, e que ninguém caminha sozinho para sempre. Mas se você não aprende a se ter primeiro, qualquer ausência vira desespero. Qualquer silêncio vira abandono. Qualquer despedida vira o fim do mundo.

Quando a gente se tem, as coisas mudam. A dor não deixa de existir, mas a gente sabe lidar. O medo não desaparece, mas não paralisa. A solidão aparece, mas não assusta. Porque você entende que pode se perder de quase tudo, menos de si.

E se você ainda não sente isso, calma. Ninguém nasce pronto. A gente aprende a se ter. Aprende a ser companhia, aprende a se respeitar, a se ouvir, a se acolher. Aprende a entender que não precisa se encaixar em todas as expectativas, que não precisa carregar uma vida de aparência só para ser aceito.

É nesse processo que a vida ganha outro significado. Você para de implorar por amor e começa a dar valor ao amor que já mora dentro de você. Para de querer provar algo para o mundo e começa a viver com mais leveza, do jeito que faz sentido para o seu coração.

No fim, a gente nunca se perde quando aprende a estar inteiro consigo mesmo. Porque o resto pode mudar, acabar, se transformar. Mas quem olha para dentro e encontra abrigo em si mesmo, nunca fica sem casa.

E talvez seja essa a maior conquista da vida: se ter. Se ter de verdade.

Com amor, James. 

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