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Resenha do Livro: A Vida Impossível - Matt Haig
Costumo gostar bastante da escrita do Matt Haig. Já me conectei profundamente com A Biblioteca da Meia-Noite e gostei muito de Como Parar o Tempo. Aqui, porém, algo simplesmente não encaixou.
A história acompanha Grace Winters, uma viúva, professora de matemática aposentada, com mais de 70 anos, que leva uma vida silenciosa e isolada. Ela passa os dias observando os pássaros no jardim e resolvendo palavras cruzadas, enquanto carrega uma culpa antiga e profunda pela morte do filho e, mais tarde, do marido. Grace não vive exatamente. Ela apenas existe, esperando o tempo passar.
Tudo muda quando uma amiga distante, conhecida décadas atrás, morre em circunstâncias misteriosas e lhe deixa uma casa na ilha de Ibiza. De forma inesperada, Grace compra uma passagem só de ida e parte rumo ao desconhecido.
Até esse ponto, a história me parecia bastante promissora. Inclusive, preciso dizer que adorei a escolha de uma protagonista idosa. É raro ver mulheres mais velhas ocupando esse lugar central na narrativa, e isso, por si só, já é um mérito enorme do livro.
Também gostei muito da forma como Ibiza é retratada. Não apenas como um destino festivo, mas como um espaço histórico, ecológico e cheio de contrastes. Confesso que isso até despertou em mim a vontade de conhecer a ilha um dia.
Os personagens secundários funcionam bem, e acompanhar o processo de abertura emocional da Grace, aos poucos voltando a sentir, a se permitir viver e a sair do isolamento, foi uma das partes mais bonitas da leitura.
O problema, para mim, surgiu quando a história mergulha de vez no realismo mágico. Eu até costumo suspender bem a descrença nesse tipo de narrativa, afinal, como leitor, leio de tudo. Ainda assim, aqui tudo pareceu exagerado demais. A presença de uma luz misteriosa no fundo do mar, poderes especiais explicados por uma origem alienígena, uma batalha quase caricata entre bem e mal, vilões rasos, políticos corruptos, cassino e conspirações ambientais acabaram me afastando da história, em vez de me aproximar.
Não consegui me envolver com a trama em si, mesmo gostando da personagem principal. Em vários momentos, senti a narrativa confusa e dispersa, como se tentasse abraçar ideias demais ao mesmo tempo. Acredito que o livro poderia ser mais curto e mais direto.
Ainda assim, reconheço o valor da mensagem central. Através de Grace, Matt Haig fala sobre luto, solidão, culpa, ganância, mas também sobre esperança, perdão e recomeço. O livro lembra que nunca é tarde para mudar de vida. Algumas imagens permanecem comigo, como Grace dançando madrugada adentro, finalmente se permitindo sentir alegria outra vez, e mostrando que, independentemente da idade, ainda é possível viver com intensidade.
No fim, fiquei com essa sensação contraditória. Gostei da jornada emocional da Grace, mas não do caminho que o livro escolheu para levá-la até lá. Sei que muita gente amou essa leitura, e consigo entender o porquê. Mas, para mim, ela não funcionou.
Talvez o problema não seja o livro. Talvez tenha sido apenas o momento errado.
Minha avaliacão: ⭐⭐⭐
Com amor, James.



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