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A manogamia existe?

Cresci em um lar cristão e tem coisas que são difíceis de tirar do coração, sabe? Mas desde mais novo eu sempre me perguntei: como é possível um casal durar tantos anos sem desejar outra pessoa? Ou será que, quando acontece uma traição, é só um casamento por conveniência, ou por acreditar nos valores da fé? Eu não tive tantas experiências em relacionamentos, e faz um tempo que venho estudando bastante sobre isso. Com o que li e refleti, percebi que a resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela existe, sim, mas não é algo concreto, universal ou que todo mundo nunca sinta. Se relacionar é uma forma de viver uma vida leve e, para muitos, super gratificante. Mas também não é a única via possível para o amor, o desejo ou um sentimento verdadeiro. Quero falar sobre isso com total respeito, sem julgar quem escolhe viver monogâmico, poliamoroso, aberto ou qualquer outro tipo de compromisso consensual. O que importa é o que funciona para cada um, desde que haja honestidade, comunicação e cons...

A paixão dará lugar ao amor

 Imagem: Heinz Klier | Pexels

Leia ouvindo: The Way You See Me - Sophia Alexa

Sabe, eu sempre achei que paixão fosse a coisa mais bonita que alguém pudesse sentir. Aquele frio na barriga, a vontade louca de estar junto, o desespero bom de não querer ficar longe. E é mesmo bonito… mas também é perigoso. Porque a paixão tira a gente do eixo. Faz a gente perder a razão, decidir sem pensar, mudar rotas que talvez não precisassem ser mudadas.

Por muito tempo eu associei o amor a isso: à intensidade que bagunça tudo. Achava que, se não fosse arrebatador, não era verdadeiro. Mas hoje eu penso diferente. Hoje eu entendo que paixão é só o começo, é a faísca que acende a chama. Ela é necessária, claro, mas não é suficiente.

O que sustenta um relacionamento de verdade não é o turbilhão, é a escolha. É acordar todos os dias e decidir estar ali. Não porque você perdeu o controle, mas porque quer dividir a vida com aquela pessoa. É olhar e dizer “eu te amo” com a mesma calma com que se diz “eu fico”.

O amor maduro é diferente. Ele não grita o tempo todo, não te joga no chão, não te arranca de quem você é. Ele te acolhe. Ele te traz paz. E, de vez em quando, sim, ele explode em paixão de novo, porque isso também faz parte, mas ele não depende disso pra existir.

Hoje eu entendo que amar não é viver um desespero constante. É construir junto, mesmo quando a euforia do início já passou. É ter alguém ao lado e saber que não precisa perder a si mesmo pra viver um sentimento bonito.

A paixão tem início, meio e fim. O amor, não. O amor se transforma, cresce, amadurece. E talvez essa seja a parte mais bonita de tudo: descobrir que, no fim, amar é mais sobre permanecer do que sobre se perder.

Com amor, James. 

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