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A manogamia existe?

Cresci em um lar cristão e tem coisas que são difíceis de tirar do coração, sabe? Mas desde mais novo eu sempre me perguntei: como é possível um casal durar tantos anos sem desejar outra pessoa? Ou será que, quando acontece uma traição, é só um casamento por conveniência, ou por acreditar nos valores da fé? Eu não tive tantas experiências em relacionamentos, e faz um tempo que venho estudando bastante sobre isso. Com o que li e refleti, percebi que a resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela existe, sim, mas não é algo concreto, universal ou que todo mundo nunca sinta. Se relacionar é uma forma de viver uma vida leve e, para muitos, super gratificante. Mas também não é a única via possível para o amor, o desejo ou um sentimento verdadeiro. Quero falar sobre isso com total respeito, sem julgar quem escolhe viver monogâmico, poliamoroso, aberto ou qualquer outro tipo de compromisso consensual. O que importa é o que funciona para cada um, desde que haja honestidade, comunicação e cons...

As coisas que eu não consegui carregar esse ano

Imagem: Zülal Sezici | Pexels
Sinto que, às vezes, quando entramos no ano, começamos acreditando que podemos lidar com tudo. Que vamos nos apegar firmemente a cada promessa, cada meta, cada relacionamento, cada versão de nós mesmos criada para parecer mais fortes, mais organizados, mais felizes. Mas então a vida acontece. E, no processo, aprendemos que nem tudo precisa ou pode ser levado até o fim. Este ano me revelou isso de forma muito direta. Comecei tentando agarrar coisas que já eram pesadas demais para mim, sentimentos que já não cabiam mais dentro de mim, expectativas que nem me pertenciam, perdi coisas que pensei que fossem eternas. Tentei manter uma força que às vezes só existia em fotos, em palavras bonitas ou na imagem idealizada de alguém que criei ao longo da vida para sentir que tinha controle sobre tudo. E eu não tinha.

Houve coisas que simplesmente deixei cair. Outras eu empurrei para longe para não precisar reconhecer. Algumas perdi na confusão porque queria correr mais rápido que o tempo. E outras descobri que nunca foram realmente minhas para carregar. E está tudo bem. Está tudo bem não ter sido forte o tempo todo. Está tudo bem ter desmoronado silenciosamente algumas noites. Está tudo bem ter sentido medo do futuro, nostalgia de um passado mais leve, vergonha por decisões que eu não sabia como consertar. Está tudo bem. Falhamos quando continuamos arrastando aquilo que há muito tempo já se despediu de nós.

Esse ano eu não consegui sustentar minhas exagerações, minhas expectativas irrealisticamente altas, minha versão idealizada. Não consegui levar comigo algumas pessoas que seguiram outros caminhos. Não consegui continuar carregando dores antigas que eu insistia em chamar de força. Não consegui sustentar uma imagem de mim mesmo que não ressoava com meu coração. E, honestamente, foi um alívio perceber isso. O que permaneceu foi o essencial. O pouco que ainda fazia sentido ficou. Permaneceram as pessoas que escolheram ficar, e eu não preciso provar nada. Permaneceram as pequenas rotinas que me dão paz. Tudo o que realmente importa encontrou espaço.

Quis ser mais honesto comigo mesmo, mesmo que isso exigisse coragem. No fim das contas, este ano me mostrou que a gente não precisa ter braços para tudo. É sobre espaço: espaço para o que é importante, para o que é leve, para o que permite respirar melhor. E talvez essa seja a verdadeira questão de crescer: aprender a deixar ir o que pesa e cuidar do que fica. Porque, agora, percebo que tudo o que eu não consegui carregar era exatamente o que eu não precisava levar para o próximo ano.

Com amor, James. 

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