Antes de decidir, pense no que a sua decisão pode deixar para trás
Tenho pensado muito sobre como nossas atitudes dizem muito sobre quem somos, mas também sobre como elas podem mudar a vida de outras pessoas. Às vezes, tomamos uma decisão acreditando que estamos apenas escolhendo um caminho para nós mesmos, quando, na verdade, existem outras pessoas caminhando ao nosso lado e que também serão afetadas pelo que decidirmos fazer. Nem sempre percebemos isso na hora, principalmente quando estamos confusos, cansados ou tentando entender o que queremos para a nossa própria vida.
A verdade é que ninguém passa pela vida sem tomar decisões difíceis. Em algum momento, todos nós vamos precisar escolher entre ficar ou partir, insistir ou desistir, falar ou permanecer em silêncio, começar alguma coisa ou colocar um ponto final. Algumas escolhas são simples e outras podem mudar completamente a nossa história. O problema é que, muitas vezes, queremos tomar uma decisão rapidamente apenas para acabar com a dúvida que estamos sentindo, sem perceber que acabar com a dúvida não significa necessariamente encontrar a resposta certa.
Tenho aprendido que existem decisões que precisam de tempo.
Não porque devemos ter certeza absoluta de tudo antes de agir, até porque essa certeza quase nunca existe, mas porque algumas escolhas merecem mais do que alguns minutos de ansiedade. Merecem silêncio, reflexão e honestidade. Merecem que a gente olhe para dentro e tente entender se realmente quer aquilo ou se está apenas tentando fugir de alguma coisa que está sentindo naquele momento.
Às vezes, confundimos vontade com necessidade. Achamos que precisamos mudar tudo porque estamos passando por uma fase ruim, quando talvez o que precisávamos era descansar. Outras vezes, acreditamos que terminar algo, abandonar alguém ou seguir outro caminho vai resolver uma inquietação que, na verdade, estava dentro de nós e continuaria existindo independentemente da escolha que fizéssemos.
E não estou falando que devemos permanecer em lugares onde não somos felizes ou continuar relações que não fazem mais sentido. Existem momentos em que partir é necessário e existem decisões que precisam ser tomadas, mesmo quando doem. O que quero dizer é que até essas decisões merecem ser tomadas com cuidado. Porque uma coisa é escolher um caminho depois de pensar profundamente sobre ele. Outra é tomar uma decisão no meio de uma tempestade e só perceber o tamanho dela quando a chuva passa.
Também precisamos lembrar que as pessoas não são acontecimentos descartáveis da nossa vida. Quando alguém entra de verdade na nossa história, cria memórias, compartilha momentos, conhece nossos medos, nossas manias, nossos sonhos e os nossos lados que quase ninguém conhece, aquela pessoa passa a fazer parte de alguma coisa que não é tão simples de apagar depois. Por isso, nossas escolhas podem deixar marcas que talvez nunca tenhamos imaginado deixar.
E acho que esse é um dos lados mais difíceis de amadurecer: entender que nossas atitudes têm consequências mesmo quando nossas intenções não eram machucar ninguém.
Nem sempre alguém toma uma decisão querendo destruir alguma coisa. Às vezes, a pessoa simplesmente acredita que está fazendo o melhor que consegue naquele momento. Só que boas intenções não anulam consequências. Podemos amar alguém e ainda assim tomar uma decisão que machuque essa pessoa. Podemos querer o melhor para nós mesmos e, ainda assim, causar uma dor que não imaginávamos. Podemos acreditar que estamos protegendo alguém e descobrir depois que aquela escolha também trouxe sofrimento.
Por isso, antes de tomar determinadas decisões, talvez valha a pena fazer algumas perguntas que normalmente evitamos. Eu realmente quero isso? Estou fazendo isso porque é o que desejo ou porque estou com medo? Estou tentando resolver um problema ou apenas fugir dele? Como vou me sentir depois que a emoção passar? E, principalmente, estou preparado para lidar com tudo aquilo que essa escolha pode trazer?
Não precisamos viver com medo de escolher. Viver também é escolher, e seria impossível passar pela vida sem cometer erros. Mas talvez exista uma diferença enorme entre errar tentando fazer o que acreditamos ser certo e agir sem sequer nos permitirmos pensar nas consequências.
Tenho cada vez mais vontade de viver de maneira intencional. Pensar um pouco mais antes de falar, antes de prometer, antes de partir, antes de fechar uma porta. Não para controlar tudo o que acontece, porque isso é impossível, mas para ter mais responsabilidade com aquilo que colocamos em movimento.
Porque algumas decisões não terminam quando tomamos a decisão. Elas continuam existindo depois. Aparecem nas lembranças, nas saudades, nas perguntas que fazemos para nós mesmos e nas pessoas que ficaram pelo caminho.
Talvez amadurecer seja justamente aprender isso: nem tudo precisa ser resolvido hoje. Nem toda dúvida precisa de uma resposta imediata. Nem todo desconforto significa que precisamos ir embora. Às vezes, precisamos apenas de um pouco de tempo para entender o que estamos sentindo antes de transformar esse sentimento em uma atitude.
No fim, não podemos voltar no tempo e escolher novamente. O que podemos fazer é aprender com aquilo que já vivemos e levar esse aprendizado para as próximas escolhas.
Então, antes de decidir, pare um pouco. Respire. Pense em você, mas também pense nas pessoas que fazem parte da sua vida. Pense no que você pode ganhar, mas também no que pode perder. Pense no alívio que uma decisão pode trazer hoje, mas também naquilo que ela pode deixar amanhã.
Porque a vida é feita de escolhas, mas algumas delas mudam muito mais do que apenas o nosso próprio caminho.
E talvez, antes de mudar a nossa vida, seja importante ter certeza de que estamos prontos para viver tudo aquilo que essa mudança pode causar.
Com amor, James.

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