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A manogamia existe?

Cresci em um lar cristão e tem coisas que são difíceis de tirar do coração, sabe? Mas desde mais novo eu sempre me perguntei: como é possível um casal durar tantos anos sem desejar outra pessoa? Ou será que, quando acontece uma traição, é só um casamento por conveniência, ou por acreditar nos valores da fé? Eu não tive tantas experiências em relacionamentos, e faz um tempo que venho estudando bastante sobre isso. Com o que li e refleti, percebi que a resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela existe, sim, mas não é algo concreto, universal ou que todo mundo nunca sinta. Se relacionar é uma forma de viver uma vida leve e, para muitos, super gratificante. Mas também não é a única via possível para o amor, o desejo ou um sentimento verdadeiro. Quero falar sobre isso com total respeito, sem julgar quem escolhe viver monogâmico, poliamoroso, aberto ou qualquer outro tipo de compromisso consensual. O que importa é o que funciona para cada um, desde que haja honestidade, comunicação e cons...

A valorização do físico e o esquecimento do primordial

 

Imagem: Little Visuals | Pexels

Leia ouvindo: A Noite - Tiê 💭

Um corpo saudável é extremamente atraente. Isso é inegável. O “sarado” chama atenção, prende olhares, desperta admiração. Eu mesmo, mais de uma vez, já me peguei analisando, e diria que não invejo, mas admiro ainda mais a disciplina de quem alcança um padrão físico que parece inalcançável. Nunca busquei isso, mas hoje me perguntei: será que estamos indo longe demais nessa obsessão pelo físico?

Vivemos em uma era em que o foco parece ser exclusivamente esse. Como se o corpo já tivesse se tornado uma moeda de troca, um símbolo de status, o reflexo de quem tem disciplina, poder, ou uma autoestima elevada.

Mas, se pararmos para pensar, o que resta quando O TEMPO FAZ O QUE SABE FAZER DE MELHOR: PASSAR? Porque ele passa. E, com ele, tudo o que é específico vai embora. A pele muda, os músculos perdem a rigidez, e as rugas dão lugar a marcas que contam histórias. Será que estamos preparados para conviver com quem escolhemos compartilhar a vida além dessas mudanças?

Quando escolhemos alguém para dividir a vida, prometemos mais do que cumplicidade. Prometemos cuidar, amparar, enfrentar os desafios que o tempo traz. Mas essa promessa tem ficado vazia. Sabe por quê? Porque o foco na aparência é tão insano que rouba o espaço para criar laços mais simples, profundos e verdadeiros. Quando a beleza começar a se desgastar, será que ficaremos? Ou vamos olhar para o lado, buscando algo “novo”, como quem troca um objeto já desgastado?

Penso no quanto o físico tem se tornado o alicerce de muitos relacionamentos, enquanto o espiritual é esquecido, como se fosse irrelevante. A beleza é, de fato, cativante. Mas o que sustenta um relacionamento, qualquer relacionamento, não é o físico ou o que nossos olhos veem, mas o que o coração sente. É o cuidado mútuo, a compreensão, o respeito pelos erros, o perdão e o amor construído ao longo da vida.

É normal desejar se relacionar com alguém bonito. O problema não está em admirar o físico, mas em viver exclusivamente para ele. Quando isso acontece, nossa essência se perde. E sem essência, o que somos? Será que conseguimos nos reconhecer? Ou nos tornamos reféns de uma busca incessante por estética?

Talvez a resposta esteja em viver o momento. Cuidar do corpo é importante, sim, porque ele é nossa casa, nosso templo. Mas o espírito, nossa essência, é o que nos conecta verdadeiramente ao outro. Isso precisa de atenção e afeto, porque é o que nos manterá de pé quando o tempo for nosso maior amigo e levar embora o brilho da juventude.

Eu ainda admiro o físico, e talvez sempre vá admirar, porque, no fim das contas, sou humano. Mas, hoje, tento lembrar que um relacionamento verdadeiro vai muito além da aparência. Ele está onde não enxergamos: no espírito, na alma. Porque é aí que encontramos o que realmente importa.

Com amor, James. 

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