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Destaques

A manogamia existe?

Cresci em um lar cristão e tem coisas que são difíceis de tirar do coração, sabe? Mas desde mais novo eu sempre me perguntei: como é possível um casal durar tantos anos sem desejar outra pessoa? Ou será que, quando acontece uma traição, é só um casamento por conveniência, ou por acreditar nos valores da fé? Eu não tive tantas experiências em relacionamentos, e faz um tempo que venho estudando bastante sobre isso. Com o que li e refleti, percebi que a resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela existe, sim, mas não é algo concreto, universal ou que todo mundo nunca sinta. Se relacionar é uma forma de viver uma vida leve e, para muitos, super gratificante. Mas também não é a única via possível para o amor, o desejo ou um sentimento verdadeiro. Quero falar sobre isso com total respeito, sem julgar quem escolhe viver monogâmico, poliamoroso, aberto ou qualquer outro tipo de compromisso consensual. O que importa é o que funciona para cada um, desde que haja honestidade, comunicação e cons...

A saudade jamais caberá no peito

 

Imagem: Monique Laats | Pexels

Leia ouvindo: Skinny Love - Bon Iver 💭

Ultimamente, tenho aprendido que não existem amores que não acabam quando chegam ao fim.

Eles continuam, silenciosos, vivendo em algum lugar entre a lembrança e a esperança. São amores que se tornam parte da gente, mesmo quando já não estão mais ao nosso lado.

A saudade nasce disso. Não é só do toque, do olhar, do riso que preenchia os espaços. É a saudade daquilo que poderia ter sido, do futuro que se desenhava e que, de repente, se apagou. É a saudade da rotina simples, de coisas pequenas que, quando estão presentes, parecem banais, mas quando se vão, pesam como se fossem o próprio mundo.

O coração é estranho. Ele consegue bater mais forte quando lembra, e ao mesmo tempo, se apertar de ciúme ao imaginar que o outro agora é livre. Livre para sorrir para quem quiser, livre para viver histórias que já não nos incluem. É um paradoxo cruel: querer o bem de alguém, mas sentir o nó da ausência como se fosse injustiça.

E a gente se pergunta: por que sinto ciúmes, se também segui, se também me permiti viver? Por que dói vê-lo livre, quando eu também busco liberdade? Talvez porque o amor não segue a lógica que tentamos impor. Ele simplesmente insiste em continuar.

Mas existe beleza até na dor da saudade e como existe. Ela prova que algo foi verdadeiro. Que não era apenas passagem, que não foi vazio. Saudade só existe quando a presença foi intensa. Quando marcou tanto que não dá para esquecer.

Dançar até o amanhecer pode anestesiar. O corpo se move, a música preenche, e por algumas horas o mundo parece leve de novo. Mas quando o silêncio volta, é a saudade que ocupa os espaços. E talvez seja assim mesmo: um movimento constante entre tentar esquecer e inevitavelmente lembrar.

Com o tempo, a gente entende que não é chegar e apagar o tempo. É sobre aprender a carregar. O amor não precisa deixar de existir para que a vida continue. Ele se transforma. Vira lembrança, vira aprendizado, vira parte de quem somos.

E se hoje dói tanto, é porque foi grande. E se foi grande, valeu a pena.

No fundo, a saudade é só outra forma de amor.

Com amor, James.


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