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A manogamia existe?

Cresci em um lar cristão e tem coisas que são difíceis de tirar do coração, sabe? Mas desde mais novo eu sempre me perguntei: como é possível um casal durar tantos anos sem desejar outra pessoa? Ou será que, quando acontece uma traição, é só um casamento por conveniência, ou por acreditar nos valores da fé? Eu não tive tantas experiências em relacionamentos, e faz um tempo que venho estudando bastante sobre isso. Com o que li e refleti, percebi que a resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela existe, sim, mas não é algo concreto, universal ou que todo mundo nunca sinta. Se relacionar é uma forma de viver uma vida leve e, para muitos, super gratificante. Mas também não é a única via possível para o amor, o desejo ou um sentimento verdadeiro. Quero falar sobre isso com total respeito, sem julgar quem escolhe viver monogâmico, poliamoroso, aberto ou qualquer outro tipo de compromisso consensual. O que importa é o que funciona para cada um, desde que haja honestidade, comunicação e cons...

E se nada disso fizer sentido amanhã?

 

Imagem: Bruna Fossile - Pexels

Leia ouvindo: Roses - Nathan Colberg 💭

Tem dias em que a gente acorda diferente. Não sei explicar direito. Não é tristeza, nem alegria. É uma confusão que começa no silêncio e vai crescendo dentro da gente, como se algo pedisse para ser ouvido. Às vezes, o que dói nem é o presente, mas o medo do que pode acontecer depois.

A vida que a gente mostra, por mais bonita que pareça por fora, nem sempre reflete o que sentimos. Em alguns momentos, parece que vivemos tentando sustentar uma história que já não tem a mesma graça, apenas para não decepcionar os outros ou pior, a nós mesmos.

É aí que aparece o medo. O medo de não estar vivendo o que deveríamos. De seguir apenas cumprindo tarefas, atendendo expectativas, tentando caber em lugares que já não nos servem mais. O medo de perder tempo, de se afastar de quem a gente realmente é ou de quem já fomos um dia.

Tem dias em que tudo parece uma performance. O sorriso, a roupa, a rotina, até o amor. A gente sorri para parecer forte, se veste para parecer confiante, se ocupa para não encarar o vazio que insiste em nos chamar. Mas, por dentro, às vezes só queríamos sentar e dizer: “eu tô cansado de fingir que tá tudo bem”.

O passado parece mais leve não porque era fácil, mas porque a gente era mais honesto com o que sentia. Hoje, aprendemos a esconder até de nós mesmos. A segurar o choro, a provar que somos fortes o bastante para não sentir nada, a engolir o medo, a responder “tá tudo certo” mesmo quando tá tudo desmoronando.

Mas eu aprendi que não há nada de errado em sentir isso. Questionar-se não é fraqueza, é sinal de que você ainda se importa. De que existe vontade de mudar, de viver com mais verdade. E só isso já é muito.

A vida é feita de ciclos, todo mundo diz. Será mesmo? São tantos dias: uns cheios de coragem, outros cheios de perguntas. E nesses dias nublados, o que salva é voltar ao essencial. O que realmente te faz bem? O que te acalma? O que traz paz mesmo em meio ao caos?

Talvez a resposta não venha agora. Talvez demore. Mas ela chega. E quando chegar, vai fazer sentido. Porque a gente não precisa entender tudo de uma vez, muito menos forçar respostas. Às vezes, tudo o que precisamos é respirar fundo e continuar. Vencer mais um dia, mesmo com medo, mesmo com dúvidas, mesmo sem saber se tudo isso vai fazer sentido amanhã.

No fim, o que a gente quer não é uma vida perfeita. É uma vida verdadeira. Sem máscaras, sem aparência, sem expectativas que não são nossas. Uma vida leve, intencional. Uma vida de verdade.

Com amor, James. 

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